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Trilha

Custo, tarifa e orçamento

Como custos do setor chegam à conta de luz e ao orçamento das famílias?

5 passos · 7 verbetes · órgão, conjunto e data de cada número na ficha do passo

Siglas: CDE, Conta de Desenvolvimento Energético; TE e TUSD, Tarifa de Energia e Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição; SIN, Sistema Interligado Nacional; BPC, Benefício de Prestação Continuada.

Resposta curta: as perdas que a regulação reconhece e as quotas da CDE entram na tarifa que a ANEEL homologa (TE e TUSD); a tarifa, a bandeira do mês, os encargos e os tributos compõem a conta de luz. A Tarifa Social é um desconto na fatura, custeado pela CDE, e o peso da energia no orçamento vem de outra fonte, a POF 2017-2018. O percurso tem cinco passos; cada um usa uma fonte e um período próprios, e o percurso explica a relação, não soma as fontes.

  1. Passo 1 de 5

    Custos que a regulação reconhece

    Parte da energia que passa pelas redes não chega a ser comercializada. Na revisão tarifária, a ANEEL define para cada concessionária os percentuais de perdas que a tarifa reconhece. A CDE, fundo das políticas públicas do setor, é arrecadada principalmente por quotas incluídas nas tarifas de uso da rede. O número abaixo é a perda realizada nas concessionárias, e não o percentual que a tarifa reconhece.

    O número no observatório

    Taxa de perdas totais na distribuição

    14,7%da energia injetadaNatureza do dado: Calculado

    01/2025 a 12/2025 · Concessionárias de distribuição (Brasil)

    Fonte: ANEEL, SAMP Balanço. Referência até 12/2025. Capturada em 30/09/2026.

    Perdas totais medidas sobre a energia injetada de referência, somando as concessionárias de distribuição no último ano completo. É a perda realizada; o percentual que a tarifa reconhece é outro número (verbete Percentual regulatório de perdas).

    Ver no painel: Perdas: mapa das distribuidoras

    Calculado: Transformação determinística feita pela Scrutiniums, com fórmula publicada.

    Componente de custoAs perdas reconhecidas pela regulação e as quotas da CDE são parcelas da tarifa: as componentes com CDE no código aparecem dentro da TUSD e da TE.

    Componente de custo: o custo de um elo vira parcela de uma tarifa ou de uma conta, por regra regulatória.

  2. Passo 2 de 5

    A tarifa homologada

    A ANEEL publica para cada distribuidora a TE e a TUSD. Juntas, cobrem a energia gerada, a transmissão, a distribuição e os encargos setoriais; os tributos são cobrados além delas.

    O número no observatório

    Tarifa residencial B1 mediana entre distribuidoras

    R$ 0,8212/kWhNatureza do dado: Calculado

    30/09/2026 · distribuidoras com tarifa B1 residencial convencional vigente

    Fonte: ANEEL, Tarifas de aplicação das distribuidoras de energia elétrica. Referência até 30/09/2026. Capturada em 30/09/2026.

    Tarifa residencial (no conjunto da ANEEL: subgrupo B1, modalidade convencional): a mediana, entre as distribuidoras com tarifa vigente na data, da soma de TE e TUSD, sem tributos.

    A mediana é a tarifa do meio entre as 81 distribuidoras: metade cobra menos e metade cobra mais, e cada uma conta uma vez, qualquer que seja o número de consumidores. A metade do meio cobra de R$ 0,7598 a R$ 0,9033 por kWh. Um consumo de 200 kWh em um mês custa R$ 164,24 na tarifa mediana, sem tributos nem bandeira.

    Ver no painel: Conta de luz: tarifa

    Calculado: Transformação determinística feita pela Scrutiniums, com fórmula publicada.

    Componente de custoA bandeira acrescenta um valor por kWh consumido, conforme o patamar acionado no mês.

  3. Passo 3 de 5

    A bandeira do mês

    A cor definida para o mês sinaliza o custo da geração e indica se há acréscimo por kWh consumido, e de quanto. Não se aplica aos consumidores dos sistemas isolados.

    O número no observatório

    Bandeira tarifária acionada

    Amarela: R$ 0,01885/kWhNatureza do dado: Observado

    09/2026 · consumidores cativos do SIN

    Fonte: ANEEL, Bandeiras Tarifárias. Referência até 09/2026. Capturada em 30/09/2026.

    A cor acionada no mês e o acréscimo por kWh que ela representa.

    Ver no painel: Conta de luz: bandeiras

    Observado: Valor publicado diretamente pela fonte oficial ou primária.

    Componente de custoA tarifa homologada pela ANEEL (TE e TUSD), as bandeiras, os encargos e os tributos compõem a conta de luz.

  4. Passo 4 de 5

    O desconto para quem tem menos renda

    A Tarifa Social dá desconto na fatura a famílias de baixa renda e a idosos ou pessoas com deficiência que recebem o BPC, custeado pela CDE. Nas faturas emitidas a partir de 5 de julho de 2025, o desconto é de 100% para o consumo até 80 kWh no mês.

    O número no observatório

    Unidades consumidoras com Tarifa Social

    17.246.524unidades consumidorasNatureza do dado: Observado

    05/2025 · Brasil

    Fonte: ANEEL, SCS: Sistema de Controle de Subvenções e Programas Sociais. Referência até 05/2025. Capturada em 30/09/2026.

    Unidades consumidoras com o desconto, no último mês publicado pela ANEEL; não é número de famílias.

    Ver no painel: Inclusão: Tarifa Social

    Observado: Valor publicado diretamente pela fonte oficial ou primária.

    O mês do número é mai/2025, anterior às faturas emitidas a partir de 5 de julho de 2025: o número não mede o efeito da regra descrita acima.

    Associação analíticaO peso da energia no orçamento vem de outra fonte (POF 2017-2018), anterior às regras atuais do desconto: os dois números ficam lado a lado, sem relação de causa.

    Associação analítica: as grandezas costumam variar juntas; a associação não prova causa.

  5. Passo 5 de 5

    O peso no orçamento

    O peso da energia no orçamento é a despesa da família com energia dividida pelo seu rendimento total, na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE. O número abaixo é a média dessas razões nas famílias de menor rendimento.

    O número no observatório

    Peso da energia no orçamento (POF 2017-2018)

    6,9%Natureza do dado: Estimado

    07/2017 a 07/2018 · Brasil, famílias com rendimento total até R$ 1.908 (valores de 15/01/2018)

    Fonte: IBGE, POF 2017-2018, microdados. Referência até 07/2018. Capturada em 30/09/2026.

    Média ponderada das razões entre despesa com energia e rendimento total, nas famílias com rendimento total até R$ 1.908 (valores de 15/01/2018).

    Ver no painel: Inclusão: peso no orçamento

    Estimado: Valor obtido por procedimento estatístico, com incerteza.

Experimente com valores hipotéticos

Exemplo sintéticoValores hipotéticos, escolhidos para ensinar. Não são dados do observatório e não entram em nenhum indicador.

Da tarifa à conta e ao peso no orçamento

Bandeira do mês

Conta sem tributos · sintético

R$ 120,00

150 kWh × R$ 0,80/kWh.

Peso no orçamento · sintético

8,0%

R$ 120,00 ÷ R$ 1.500. Não compare com o peso medido pela POF: aqui a renda, a tarifa e a bandeira são hipotéticas.

Barra: parte da tarifa (cheia) e parte da bandeira (hachurada) na conta sintética, sem bandeira.

Simplificação pedagógica. A tarifa e os acréscimos de bandeira são hipotéticos. A conta fica sem tributos (PIS/Cofins, ICMS e contribuição de iluminação pública entram além da tarifa), sem custo de disponibilidade e sem desconto da Tarifa Social. O peso no orçamento divide a conta sintética pela renda escolhida; no observatório, o peso medido vem da POF, não desta conta.

O que esta trilha não permite concluir

  • A mediana da tarifa entre distribuidoras não é a conta de ninguém: a conta depende da distribuidora, da classe, do consumo e dos tributos.
  • Unidades consumidoras e faturas com desconto não são famílias atendidas.
  • O peso no orçamento vem da POF 2017-2018 e não mede o efeito das regras atuais da Tarifa Social nem das tarifas vigentes.